toda a noite a noite me tomou, insone como eu, nos seus braços de tarântula e eu fiquei com os olhos abertos contra a escuridão, os braços como traves, apenas um fogo lento a corroer os pensamentos quando o cérebro, mercuriano, processa e produz a mil e quinhentos anos luz as realizações que cabem numa vida. e o dia começou demasiado rápido, demasiado desajustado. com umas gotas de Efortil e um café no banho, alguma garridice na roupa, uma vontade simples de dançar em favor do sol, refiz-me da noite. quando amainei, vi-me a cabecear, entre cada letra e cada palavra. ao longe, vejo-me na tarde, os cortinados a ondear, a frescura a inundar-me o quarto e a sondar-me o corpo e apetece-me mergulhar a pique. no sono.
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