25.4.11

rectas paralelas

a tarde alinha-se no tempo
pronta para sair em agonia
prolongando as suas pegadas no céu

recolhidas, as flores protegem o seu âmago
guardando para os beijos do sol e das borboletas
o seu pólen mais precioso.

em tardes assim o mundo louco recolhe-se
por momentos

e projecta-se a sombra maior do sonho

pelas arcadas dos prédios, pelas suas sombras
longas

e moços são os cedros e as searas de Abril
e o rosmaninho pascal - penso a nostalgia
de um campo idealizado na cidade

rosas são as noites quase quentes
carregadas de anil - sempre

lindas as estrelas semeadas nos olhos que sonham
em tardes assim, onde seria crível o sangue conter
açucenas e jasmim

meu amor, podes compor a minha estrada
basta ligares os fios e as nervuras
da palma da minha mão - a linha da vida


prestes a deter-se interrompida
para seguir depois de um interregno
até ao fim profundamente vivida

dizem as veias que o meu sangue
é solidão e cidra ácida mas é mentira
vivo todas as horas em ti, na tua possível fantasia

na tua música

bebo o que extraio do teu rosto, vindimo as tuas palavras
e bebo-lhe a suavidade como frutose que me vicia

e é tão pouco
calculo apenas a geometria
e penso que somos as rectas paralelas
que nem no infinito se encontram
e sempre se ombreiam - invertidas

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