9.4.11

a tarde passa, branca como as nuvens
nada se ouve em redor
nem o murmúrio da chuva, do vento
ou uma música qualquer

e eu ouço devagar os minutos
pautados com o sangue, uma só voz

e estudo os movimentos dos teus lábios
com a persistência de um cego

que eleva a mão e lê por dentro
o que por fora não é visível

caminha-me até ao sol
em breve uma manta azul carmim

depois uma rota magnífica
até ao próximo amanhecer

estaremos vivos num mundo ensurdecedor
mas temos espaço para falar e para ouvir

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