10.4.11

vendavais

 "Windy"do meu pintor favorito


a manhã saturada de sol, uma viagem azul e ouro
pela entrada do dia

e o vento, vazio na sua essência, representa sozinho
a sua farsa violenta

na verdade o vento limpa e arrasta os restos
que a civilização espalha nas ruas

o vento na verdade mede a sua ira pela nossa
que, mesmo calada e submissa, é conjunta e total

o vento é sempre um estado de mudança:
aviva-nos a memória das coisas agrestes
dispersas folhas de mal

mas pacifica-nos por dentro quando acaba
e tudo volta a ser banal

gosto de vendavais, tu sabes,

e ponho-me a desejar que estejas fora dos seus anéis
claramente pacífico e resistente
certo de que, depois do vento, 
tudo voltará a ser igual

.

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