3.4.11

tudo e nada

a noite foi branca e plana, daquelas que são como uma folha de papel geometricamente disposta para que se lhe imprima alma. e nada passa para o dia. oculto-me de mim mesma, como giesta basta. o meu volume é baixo e a voz um fio de lume em extinção. gostava de encetar uma ária forte e polifónica que me revelasse no espaço exímio que ocupo. e que chegasse enfim ao teu refúgio, entre tantos lírios e rosas coroadas como usas. não me compreendo, face ao que já fui. procuro aceitar-me, evitando não me apoucar no que tenho a dar em água e cuidados à rosa que mora no meu planeta. tudo é, mais tarde ou mais cedo, uma mão cheia de nada. e nada pode vir a ser tudo, quando nos escasseia a estrada. 

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