29.4.11

violetas


tu vens com o timbre a violetas na tua voz velada e eu quebro por dentro por te ouvir tão próximo do coração, tão inquieto na noite. tarde deixas a visão do abraço inacabado que segue sem nós e para além de nós até terminar cedo. e cedo busco eu sinais de trémulas tuas palavras e converto-as em capital de afectos  de pele muito íntima. sobe sempre à boca o gosto a zinco, e ficam flores a acenar pelos olhos, tão ternas e tão puras. és tu, que me sabes falar com um beijo intenso que rasa de dentro para fora. e eu que não sei descrever as voltas que a noite faz na cama, nem os ângulos do pensamento, fico a pensar em como pode o veio do amor ser tão elevado nas cordas vocais de um carta, ou de um poema, talvez um bocado de coração bata entre as palavras. e faça centelha. tu vens com o ritmo da noite e esclareces os caminhos. faço um sorriso e fico a desenlear o mistério. per-sis-ten-te-men-te. sinto-te mais perto quando estás. e não te vejo em lado nenhum, mas estiveste. e eu só sei que adormeci com as mãos no peito. e eras tu que vinhas estar. e depois ficaste.

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