a noite é redonda e elíptica, com nós agudos lançados para dentro de nós que em queda nos içamos neles. é perigoso parar na noite sem bolsos onde guardar os pensamentos, as mãos presas em iguanas, o corpo em esteiras e tiras obscuras nas sombras esfarrapadas. é perigoso estacionar na noite, como o é espreitar para uma falésia com vento sobre o escuro oceano. o rumor que nos devolve é o remo que nos lavra o fundo. é por isso que é perigoso ficar a olhar a felicidade de frente, sobretudo se for já tarde e a noite nos recolher na sua aba fria. é melhor rasar tudo sem ser muito fundo, olhar-te como uma árvore ou um pássaro oculto. mas passar tudo a correr, com pressa de escapar ao sortilégio do que se tem, por não se ter.
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