hoje o meu mundo é branco
tão branco que me fere os olhos tanta luz
neve fresca e a flora do céu em folhas de azul
e o meu corpo distendido, exausta,
numa esteira de infinito
devia deixar o sono entrar-me pelo peito
devia saltar as ondas, reter o sol todo no corpo
e deixar que a areia me acariciasse o dorso
tão tranquila
devia subir a serra e encher-me de alecrim
inalar flores e ouvir fontes chamarem
por mim
andar pela courela a contar as oliveiras
subir ao cruzeiro da aldeia e abranger
as hortas e os meus lugares de (antiga) infantil
brincadeira
eu devia ir abraçar as árvores que plantei
sair, saltar o mundo, soltar o riso
eu devia, sim, mas não vou
fico daqui a usar os sentidos
para tudo ver, tudo sentir, sem ter de optar
só por um trilho
fico aqui a sentir que não estou só
é como se estivéssemos na poeira do sol
tu eu e a natureza, um mesmo reflexo
a iluminar a voz
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