meu amor, eu tenho retido a respiração, sabes, passei o dia a retê-la, primeiro na piscina, a manhã toda, uma zona de leveza fechada nos céus com largas portas para o campo, uma brisa miudinha a arejar o espaço e a água leve e pura de tantos raios de sol a cruzá-la; depois durante a tarde, à medida que não te via, onde gostaria que estivesses, (sei lá, talvez no restaurante chinês onde fui - um self-service de grande variedade, uma sangria branca ao gosto português, talvez no passeio a pé pelo bairro, antes de me vir meter em casa, no
recolhimento do quarto, (ou do estudo?)).
depois retive a respiração porque o tempo me foi mordendo aos poucos e poucos pela pressa e a urgência de chegar sei lá onde, fazer sei lá o quê, evitando ficar e depender de um ecrã que só brilha quando as tuas cartas se abrem com um sorriso atado ao pescoço e um fervor tão peculiar que me enternece e fortifica - com expressões que me abrem sulcos na face como histórias felizes de contar para encantar. meu amor. podia ter quebrado a concordância verbal e a maldita dissertação que não disserta nada que me faça feliz para te enviar as rosas melhores do meu peito.meu amor. assim te chego tarde no retinir do nosso recolhimento que se atardou, tanto, se atarda cada vez mais porque mais e mais te espero e te quero próximo assim, caloroso aberto, sempre.
gostei muito de ti assim, com o teu dia ainda em relevo, as planuras e elevações das coisas que fizeste, o sol ainda sobre os ombros a caneta ainda activa, mas inerte, e tu, com os olhos postos na janela aberta, talvez esta, talvez a da nossa vida, talvez a que me reservas na tua, talvez...
boa noite, levo-te comigo para a brancura da minha noite
(vou ainda espreitar a Lua que hoje está tão grande... já deixei de fumar, mas hoje, talvez o faça, a pensar em ti, soprando devagar as primeiras palavras de um dia novo: dorme bem, meu amor, acorda feliz!)
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