16.5.11


tempestade sobre o asfalto quente, a frescura da tarde rente ao corpo desvestido, uma túnica leve e colorida, plena de missangas, dois colares numa sinfonia de prata e azul. prendi os cabelos atrás e olhei-me ao espelho de manhã. tão pálida. a noite encontrou-me de olhos bem abertos, o fim de semana tinha passado e eu não o tinha vivido. esquecera-me de me importar. tão pálida da noite sem sono, tão pálido o corpo sem ter tido ainda sol. uma migalha de luz no olhar. a lembrança de ti. uma moeda nas minhas mãos. a face feliz de existires: a face neutra, uma éfige sisuda de (também) não te saber. vieste? estás aqui e agora ao pé de mim? partilhas o mesmo espaço e o mesmo ar, a mesma calma após a tempestade, talvez a mesma chuva? hoje tenho medo. que novamente me tenha enganado. fixei uma imagem. e podes não ser tu. mais uma vez. perdoa-me. preciso de te ter mais perto. e agora mais do que nunca, seja qual for a tua imagem, quero-te fixar de frente e morrer dentro dos teus olhos, como uma canção que deixa devagarinho os últimos acordes. hoje estou muito pálida e exausta da tempestade. mergulho devagar no reino de aziluth. podes chamar-me de lá, de todos os mundos onde eu estive, que eu ouço-te. hoje estou pálida e exausta. e tenho dentro de mim ainda a tempestade e o olhar impaciente. aziluth, aziluth... 

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