escreve, rasa a tua barba com a caligrafia rija
das noites de mais saudade
ruge com o silêncio dos trovões extintos
e das fábulas que já não falam
dos animais sacrificados de ossos agora
alvos, limpos
mas escreve
dobra-me a noite na tarde, rasga a manhã que não tivemos
o memorial todo da hibernação de rosto e membros
mas escreve-me
dobra ainda o lençol, que ouço já marcar o esquecimento
afaga por último o edredon de penas
ouve e leva tudo o que penso
antes de adormecer - com os meus olhos plenos
esses mesmo olhos que conhecerás
espantados, exaustos e às vezes com ilhas
e barcos e oceanos
de marés e modos (às vezes) amenos
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