20.5.11


o dia a flutuar com o sol nos membros descobertos, eu leve e fresca por dentro com a memória da chuva a ficar para trás e apenas um imperativo de oxigénio expresso no olhar. na ordem do dia está a palavra "adiar".
com ela rasgo espaços para mim. abro janelas maiores e deixo o ar lavar-me de memórias pesadas, esforços físicos, deveres, trabalho pesado, laborioso, minucioso, duro e sem compensação - nada. 

quero-lá-saber. uns calções frescos, uma  tshirt larga e os olhos a perderem-se pelas paredes, absolutamente brancas como o mundo subitamente se fez.  adia tudo. adia-te. faz adiar. anula tudo. exerce a tua arte: cozinha maravilhas; decora o momento; procura o requinte. vai à piscina, rebola na areia e depois, quando te cansares, não faças nada. volta às tuas paredes brancas e recolhe a luz para dentro, onde te não movas. tal é a fuga do momento para onde nem sequer a vida decorra.



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