pois podia. podia ter sido tanta coisa e até nada. vi dentro de mim a porta fechada, uma e outra vez. senti-me livre. vi dentro de ti tudo cerrado, renúncia e fuga; talvez tenhas sido feliz, então. mas depois tudo voltava ao ponto em que tinha ficado, com um nó mais apertado. um de nós chamava, ou era eu que chamava sempre. desculpa. devia ter ficado dispersa e perdida pelo meio dos meus versos, abraçada ao caos. devia ter-me deixado levar pelo encantamento, sem questionar o paraíso. a maçã. achei-a em tantas árvores. mas não era. vieram caminhos ínvios. havia de abandonar os falsos paraísos. que eram reviravoltas minhas. podia continuar a confundir-me mais e a confundir-te. (não sei o que trará mais confusão, se o conhecer-te sem te conhecer, se não te conhecer conhecendo-te). jogos de palavras. mas tens razão. não devia ter. mas gostei, gostei tanto. da maçã que vi. deixa lá. agora já não exijo mais nada. basta já o que a vida exige de mim. e era injusto. saber que os teus olhos me sorriam e imaginar a cor errada. não merecias. o destino produz-se com a teimosia ou com a inércia. qualquer um nos serve. qualquer um nos tem feito infelizes, mas mais ricos e sumptuosos do que um marajá. há árvores que são tão altas que tarde ou cedo se unem ao céu. e eu fico bem assim agora com o que sei. amordaça-me. cega-me. voltamos atrás. nasceste de novo dentro de mim e eu nada sei. nada vai acontecer. tranquiliza-te. estamos bem assim. o paraíso depois da maçã, mas sem maçã e sem expulsão.
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