não, hoje não.
não vai entrar o vento norte
pelas frestas destes olhos que te buscam
não vai entrar o abandono e a solidão
nem o assobio da morte
em meus ouvidos
hoje não, hoje é a vida
que me risca o tempo e os passos
à medida que me visto e me preparo
para um dia de estio limpo e dourado
hoje não quero sentir-me abandonada
se foste ou queres ir, deixa no ar
a última lufada de um sorriso
não quero mágoas nem fastídios
quando nos cerca o verão
e nos envolve a sua intemporalidade
algo em nós se alaga de frescura
em dias assim já fui criança
em dias assim já fui mulher
em dias assim rasguei o horizonte
e voei como ave e fui feliz
em dias assim sonhei com o amor
ou já o tive
em dias assim sorri para ti
em dias como este lavrei poemas
canções em vagas e temas felizes
por isso, hoje,
quer te aproximes de mim, quer me abandones
não deixes de viver o estio dentro de ti
por fora tudo estala ao sol desmedido
por dentro uma frescura litoral
uma marina onde há barcos
e o baloiçar lento das vagas
tu és um deles e nesses sonhos imprecisos
está o teu apaziguamento e o teu sorriso
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