20.6.11

a voz e as veias

que dizes meu amor que assim aprendes o esquecimento?
entre tantas palavras e tanto secreto momento
a luz é ténue e o regaço esmorece-te

na respiração que te lavra dentro
há tanto de luz como de escuridão
talvez desalento

e eu que te quero tanto
fico a percorrer os meus dias
com suavidade - esperando-te sempre
na reunião das palavras
talvez mais serenamente

e nunca a sede que me matas
é a sede que se sente

no meu peito ardem florestas lentas
todo o amor me percorre as veias
em velas de veludo
luas suspensas

se tudo nos une e nos separa
que sejam as palavras que bastas
nos compreendam a voz e a fala

conta-me, como dantes fazias,
o lugar das pedras e das sombras
na cidade até ser dia

mas fala: em teu redor é quase agora
amanhã ergueremos o sol
com as mãos cheias
e toda a poesia que quiseres
escorrerá delirante da voz e das veias

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