6.7.11




estou aqui entre os cantos da noite ainda sem saber como desfazer a força das mãos ou mais refazer o toque. aconchego-me como quem regressa ao interior de uma casa, depois do rigor de uma intempérie. encontro a parte mais íntima do ser, a nudez natural da voz quando embranquece. encontro-te. hoje nem a mim mesma me vi. indisciplinada, incerta e sem harmonia. o dia passou inutilmente, sem que eu tenha progredido um passo só que fosse no interior do meu tempo. nada fiz. e não foi para isto que fomos postos no mundo. não convivo bem com a inércia. e não foi bem inércia o que senti. foi uma espécie de dispersão dos meus átomos em demasiadas vertentes e nenhum resultado. hoje estou assim, porque há dias inconsúteis e nada resulta em linha recta. há dias assim, também, porque há pessoas que nos ocupam o tempo que é nosso e nos vampirizam a energia. isso aconteceu-me hoje, acho. pudesse eu e voltava atrás para resgatar todos os momentos que se escoaram sem que os saboreasse (com o som da tua voz; com o arco luminoso dos teus olhos; com a pausada lira da tua presença). em mim.

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