um manto de lua lá fora, tanta luz a banhar o silêncio desta extensão deserta de gente... tão diferente da cidade, que nos fervilha à frente dos olhos em cheiros e conversas a fritar por dentro as tensões do dia. tão diferente até no cansaço dos corpos. aqui o sono fecha-me misericordiosamente os olhos, conforme se apaga o dia. depois é o silêncio absoluto dos lugares sem gente. só os grilos mais audazes e as bruxas ao luar espraiam o seu canto nas dunas do pinhal. parece brisa, mas só os sonhadores a ouvem. nada se move. nem carros aqui passam, nem vozes. é enfim o deserto de que precisava. se estivesses aqui ouvias as batidas do coração. as minhas. e eu ouviriam mansamente as tuas, no recosto amplo do teu peito. e tudo seria mais longínquo e mais perto, como quando as coisas acontecem e nós que somos os protagonistas sentimos que assistimos ao nosso próprio destino. de cima, de onde as coisas maravilhosas e amplas nos parecem mais perfeitas.
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