26.7.18

pedras de rolar



tanto silêncio e tão antigo
liso o lago no estuário
do tempo original do mundo

as pedras do rio que colho
únicas no seu corpo morto
rolam e recolhem-se de novo
levadas como eu sem rumo

eu sou aquele barco 
que já não abraça o mar
trago uma poesia armada
de palavras vulneráveis

velas vencidas ainda se lançam
na luz da madrugada
e cedem a nenhum vento
cheias e esvaziadas

diz-me, era teia no soalho
e o soalho era silêncio
ou outro material
de rápido desgaste

viriam gaivotas e aves outras
inquietas com o vazio
que agora ouço
mas a casa serenou
e o tempo foi-se

diz-me, havia um barco,
que ficou de nos chegar
era alimento e sustento
do sonho de te encontrar

agora recolho as pedras
são únicas, desiguais,
frescas na pele, não são
de arremessar

nelas pulsa ainda o silêncio
do sonho de te sonhar

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