nas tribos o firmamento
era a manta e o sono e o silêncio
com um só sopro no chão seco
e o ar sereno nas searas forte se tornou
e na pele dos homens o suor cessou
foi o vento e a semente e o amor
quem pôs a terra à flor do sol
sempre o vento a varrer as nuvens
e a Lua a velejar por perto
junto aos olhos que o amor deixou desertos
sempre foi dos homens o segredo
e dos amantes o amor cego
foi o vento sim, esse inconstante
momento
na montanha onde David
teve de Deus a coroa e o segredo
uma voz na tempestade, ouves?
sempre o vento e a chama
mesmo quando por dentro o rei vai negro
no fundo todos os seres
são do mesmo sopro, da mesma casualidade
que alinhou a Lua, a nuvem e o momento
para produzir o amor, esse prodígio
numa noite qualquer levada pelo vento
ouves esse barro estranho
esse sal lançado ao lume do mundo que já não temos?
assim nasceu, talvez, a força estranha
do vento
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