18.1.19
intercessão
toco o teu rosto como o vento beija a madrugada, clandestinente,
com as minhas mãos frias e feridas, acolho-te e recebo a aragem azul da noite
bebo o teu olhar e é sempre pouco, tanta a hera que cresce rente ao coração.
aquece-me nestas noites a memória antiga, uma voz que era afago, com a doce melodia do que apetecia dizer e se dizia
afago a tua memória que é o que me cresce quando de tudo o resto já nada fica
é tarde mas eu já te disse que os teus olhos me interceptam, mesmo sem me ver,
e que é doce adoçar a tua pele com a palma da minha mão, lentamente, ao ritmo que tem, sereno, o meu coração
não quero fechar a noite: fica entre nós o labirinto e a palavra que se perdeu
mas que importa isso se os meus olhos vivem nos teus?
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