6.1.19

luz essencial


conheço a noite fresca e pura
quando a voz se inclina para dentro
quando consumimos o silêncio
como se a eternidade fosse um poço escuro
e nós caíssemos lá dentro

o eco de um violino, um gemido do vento
alguma ave noturna. um pio plagente

é inútil dizer que o círculo se alarga
e que tu estás num lugar tranquilo
sem armas, nem aspas, nem abismos
mas com o algodão necessário
para que navegues no sonho, como quiseres:
contigo, comigo ou sozinho

pois a noite é tua, como tua é a pedra
e teu o tronco. tudo que amo em ti
é apenas uma luz essencial
que à noite sem saberes acendo

serenamente tapamos o mundo
com uma manta de seda
bordada pelas estrelas
na pele que o dia não nos deu

e é entre a luz que se faz a sombra
entre os espinhos as rosas se decantam
e entre as mãos se tece o véu

para lá das sombras ficamos nós,
longe do que nos venceu
apenas tu e eu, filhos do luar

de manhã, um rasgo da neblina que esconde o céu
pode ser o sinal bastante de que o sonho não morreu

Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixa aqui um lírio

Recentemente...

Asserções

Uma onda é a resposta a outra, como um eco é a resposta a outro A atração, dois ecos que se encontram e se unem no mesmo som E o amor? Ah, o...

Mensagens populares neste blogue