busco sinais de novas realidades emergentes
o candeeiro a interrogar o horizonte, numa postura acentuada
as árvores com uma inclinação mais expressiva, como num lamento,
um carro suspeito com todo um folhetim dentro,
a imagem fugitiva de um bicho na mata, um cão perdido, lazarento
a realidade organizada como uma sequência de imagens distintas,
mas sempre as mesmas, mata devagarinho a essência do mundo
enquanto apreciação estética que nos enche os sentidos
podia sair de casa e ficar presa ao asfalto, imersa num outro tempo,
parada, como morcego embriagado de luz, num vértice tangente,
algo que me estremecesse com um traço de improbabilidade
talvez até uma presença única e irrepetível, alguém que viesse
inverter as horas, quebrar delicadamente o mastro ao tempo
para reiniciar a existência num modo louco, em que o candeeiro
fosse eu, as árvores o meu grito, o carro o deslizar do tempo e tudo
não fosse mais do que uma mutação viral da substância humana em slow motion,
imaterialidade e essência, na qual o tédio se funde e afunde nuvem adentro
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