Por vezes, frente ao espelho, queremos ser todos, a superfície refletora, o reflexo e o refletido
Mas se há coisas incoicidentes,
essas são o homem e a sua sombra
o ser e o parecer, a ideia e a matéria
Por isso, entre outras coisas, precisamos tanto do outro, do seu olhar que é espelho de nós e nos devolve inteiros -
mais reforçados, apenas porque fomos vistos
Por isso, eu digo, frente a este espelho onde não estou: morrer é deixar de ser a imagem
no espelho de alguém
E, num esforço cartesiano e pueril, afirmo,
como quem pergunta - vês-me, logo,
existo?
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