Quando era criança, esperava o toque do amola-tesouras com os seus dois tons de música, seca, simples, ora aguda ora grave
Queria encontrar um padrão na sua vinda.
Terças ou Quintas? Manhãs ou tardes?
Esperei tantas vezes por ele que um dia não dei sequer por ter desaparecido
Hoje sei que quem desapareceu fui eu, porque ele continua a tocar-me na memória as suas duas notas de inquietação
Há amores que também nos tocam todos os dias e a sua marca não tem padrão.
Um dia desaparecemos dentro do amor
Um estrago de oxigénio exalado pela pele
Mas respiramos o que mais ninguém tem
Esse som inquietante e belo, o olhar por dentro a dizer, adoro-te. Como estás?
E nós sabemos, então, que estamos bem.
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