21.6.19
Perceção
O dia é o dia, a noite é a noite e ainda há a mnhã e a tarde
e depois todas as sensações que ninguém tem paciência
para nos ouvir nomear e que emanam do dia, da noite, da tarde
e muitas vezes da manhã
A meio da leitura de um diploma, apetece mascar um ramo de árvore
e sonhar com a natureza altiva de outro lugar. O mistério das árvores
e a volúpia dos ventos são demais para o homem
Para abater a insegurança, o homem desenvolve tabelas e altos muros
de números e percentagens que traduzem apenas o transitório
As árvores nunca mudam. O seu balanço é como as ondas do mar.
Não mudam em tantas variantes como a sociedade e os bens materiais
Amo as perceções. Oxalá a realidade pudesse incluir mais e tudo seria
humanamente feliz.
Prefiro a emoção de um pássaro a rasar o vidro às evidências de um
projeto, tal como amo todas as evidèncias do céu em cada nuvem em torpel
mas não posso incluí-las no relatório ou no projeto, não neste papel
em que sou objetivamente imune à emoção
Porque uma coisa é esse mundo interno onde me pousam as ideias
ondem vivem as emoções e outro mundo é o rigor das palavras e dos
indicadores que servem para justificar as decisões
Prefiro os indícios das rosas e, das orquídias, o mistério da cor
mas se eu disser a alguém que algumas flores podem adoecer
poderei ser acusada de profana e de pagã, quando afinal o rigor
das coisas certas e certificadas por decreto é tudo que o mundo quer
É para isso que (me) existes. Contigo haverá sempre uma poderosa
fuga para esse intercâmbio de rosas e razões onde cabem (até) as
evidências do amor
O mundo é prosaico, exato e banal. Amo em ti as imprecisões,
essa imoralidade das coisas insignificantes: o abraço do vento
no vapor da tarde, a fala das nuvens, os leves indícios que às vezes
esboçam a geografia das mais simples emoções
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