21.6.19
solidão a sós
Não arrumes a casa antes de partir, deixa-a com o mesmo sarro das nossas vidas
e com esse velho bolor de termos sido nós, numa simbiose perfeita entre
ser e poeisis, que era simplesmente o poço da nossa solidão.
Observámos de cima e olhámos de baixo a fundura das nossas vidas e,
de cada ponto de observação, não havia fundo mas uma escada invisível
para dentro de cada um de nós.
Como dizer-te que a tua solidão te incorporou como medida da minha,
da mesma forma que a terra se deixa embeber de chuva e se deixa
engrossar pelo caudal?
Mas a solidão da solidão a sós
Como pode existir sozinha, sem haver um punhal, uma incisão, um corte,
Sem que tu me digas, meu amor, eu vou levar a minha solidão nos bolsos,
enquanto vou comprar um maço de tabaco e já não volto?
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