23.6.19

pó de gesso


não concebo a noite sem o sopro da insónia
que remove o pó de gesso dos meus ossos

límpidos e dourados como teias ao sol,
os meus membros desenham a curva insinuante da morte

resvalo para o subterrâneo onde os anjos me recolhem
e piedosamente me depõem noutro sonho

se um dia descer pelo labirinto até ao Minotauro,
não haverá fio que me devolva, nem anjo que me salve

a noite caputura-me, ao mesmo tempo que me devolve
ao alívio das manhãs

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