25.7.19
Efémeros
Nesta noite o silêncio é o dos campos, com os mesmos grilos de há anos, os mesmos latidos dos cães de sempre.
Quando penduramos na noite a memória dos sentidos, parece-nos que o mundo existe porque nós existimos.
Mas nós, como os cães, somos efémeros.
Os cães são passageiros. Vêm e vão. Mas os seus latidos não. Eu e tu somos de uma efemeridade frágil
e não podemos estender mais longe a mão.
Somos o agora e só o agora,
como o som do sino a bater as horas,
eram 11 batidas e agora não voltarão a existir as mesmas horas, neste mesmo dia.
Não haverá réplicas de nós no novo tempo.
Mas deixaremos feita uma história que será tão perene como os latidos noturnos do campo. Não precisa de ser contada nem ouvida. Porque o amor, como os latidos dos cães é sempre eterno.
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