25.7.19

Cedo


É uma noite suave em toda a rua desta pele ardida ao sol. Batem portas e entram vozes e a rua emudece dentro de mim.

É nestes momentos que o silêncio me enche os ossos com a vontade de ceder ao peso da casa e da distância e do tempo.

Ceder-te.

Com esta sede de água pura, ceder mais cedo que a morte, antes do soalho ceder ao caruncho, antes que nele cesse a sede do amor.

Ceder-te a paz e a prisão do corpo. Deixar que me preenchas de vento os ossos e de volúpia o pensamento.

Cedo-te, mesmo que já não seja cedo,
desço o meu corpo à terra e semeio-me
e tu, não sabes, mas
todas as noites me acedes.




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