20.7.19

Infeção



Todas as noites tropeço na mesma razão,
uma espécie de infeção dos sentidos
E passo com ela o tempo todo
que seria de sonhar com razões novas
ou contigo

Mesmo tomando todos os analgésicos
do mundo, não me passa a ideia absurda
de que o amor mora dentro de mim
como um hóspede vitalício com renda
social que nunca paga

O amor anda por todas as divisões,
veia a veia,
várias vezes ao dia, rabisca-me as paredes
com uma tinta permanente que é tóxica,
marca-me a pele com uma infeção
de rimas

Mas não me sai da cabeça a razão:
se queres que o amor te abrace,
expulsa esse inquilino, limpa a casa
e vai buscar a tua vida
nos olhos de alguém, até te encandeares com esse sol e apanhares uma insolação.

Ou queres morrer com um poema nas  mãos?

Nessa altura da insónia, o livro tomba e as razões adormecem devagar.
Pelas leis do arrendamento, não posso despejar o amor.

E então, no sono, sonho que estou
a ver-te chegar.



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