rasgo as nuvens para chegar ao sol,
aquele súbito golpe do deserto mexicano
aquela sede fresca de água e de imensidão
sento-me no quarto à espera de quase nada
nestes dias cinzentos, qualquer coisa me deserta
e me regressa depois
como um luto de frutos vermelhos desiguais
sento-me no quarto e, enquanto não vier o verão,
não espero nada
respiro devagar o tempo e ouço-o
rumino o tempo como o mais vil dos bichos
e compreendo o caos - não o aceito
dentro de mim a chama arde
movida a uma energia plasmática
enquanto o verão não chegar, dentro de mim,
o amor regressa e parte e o tempo arde
da varanda mais alta da nossa praça
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