mas eu quero guardar o momento,
permanecer no agora
ou levar o agora a permanecer
mais dentro
estou em paz com o tempo
e com a tarde, estou em paz com as nuvens
e com a sede, estou em paz com a morte
não há razões para aceitar o mundo
com as suas ervas e urzes
mas o mundo está tão silencioso
sem ruídos fortes e confusos...
sem ruídos fortes e confusos...
meto as mãos nos bolsos deste mundo
e está quente e suave como um pombo
e está quente e suave como um pombo
é como se não houvesse notas falsas
como se fosse igualmente belo para todos
é como ter tomado um banho fundo
e emergir na representação ideal do universo
mas não é assim. o mundo é um capitalista gordo
que odeia as tardes sonolentas, as pausas no emprego,
os domingos e a paz nos olhos assalariados
e eu que conheço a paz na sua essência
por que não a tenho sempre?
por que não a tenho sempre?
pergunto-me o que aconteceu ao homem
para se tornar um ser produtivo, apressado
e estranho a si mesmo?
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