14.7.19

Vento macio



As manhãs lavam o corpo
Refrescam a terra do canteiro

O chapéu de palha que se leva para a horta
Onde nascem evasivas rosas
Como serpentes de uma era nova
É um sinal de sol

As manhãs são flores de café
Uma nova sementeira de amor

Começo a manhã com essa rega
A mondar devagarinho e uma a uma
As ervas daninhas do coração,
A dúvida, a insegurança, o medo

Há um vento macio no ar. Agora,
podia beijar-te, por ser manhã
e por trazeres na boca o sabor
matinal das rosas e dos rios

Bebo devagar o sumo das rosas

Já não estou tão só.
Enterrei a realidade bem funda
e recomeço o sonho de
sermos nós


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