14.7.19

Clandestinidade


Vem-me à ideia a noite
Com os seus lençóis de linho leve
Leitos demorados de amor latente

A névoa como manta
E apenas a voz como almofada
A noite anda descalça e nua
Pela casa

Nas tensas horas da madrugada
Árvores alongam-se nas janelas
Sibila o vento no ouvido
E há um corpo amordaçado
E outro interdito,
Ambos soltos e presos 
Por um mesmo frio 

É hora de dormir, meu amor,
Mas a noite é já madrugada
E os amantes alongam-se
Lado a lado, ele e ela,
O poeta e a palavra


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