I
dois podem rir ou chorar espaçadamente
mas se o fizerem em simultâneo
rindo com os mesmos lábios, o mesmo brilho
ou chorando com o mesmo rio
então, não são dois, são um apenas um
que ri ou chora no mesmo
espaço-tempo
II
dois podem olhar-se por fora ou por dentro
e, quando um olha o outro mais fundo,
é porque, mesmo não sabendo o que vê,
espera encontrar abrigo e complemento
III
dois podem ser iguais ou contrários
mas, seja lá o que forem, não podem abdicar de si,
nem tomar sempre a mesma direção;
dois podem desafiar-se e, desafio havendo,
há mais (des)sintonização e mais enamoramento
IV
dois podem seduzir-se ou deixar-se seduzir
e, quando a sedução se senta entre os dois
cumpre a cada um alimentá-la,
sendo cada qual o mais sedutor e o mais seduzido
V
quando um ficar subitamente melhor sem o outro
e tiver acabado o riso, o choro, o complemento,
ficará implícito o fim do enamoramento
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