15.7.19
sete razões para o beijo
muitas vezes, fazes-me rir e eu sinto vontade de te beijar
e outras fazes-me chorar de um choro bom, mas também
tenho vontade de te beijar, no pressuposto da flor
que faz a sua catarse ao definhar num vaso
às vezes fazes-me sentir frio
um frio nórdico quase metalizado
como a sensação de água gelada na ponta do corpo
mas também te beijaria para ampliar o fogo
outras aqueces-me por dentro
nessa cavidade viva onde vive
a emoção - nessas ocasiões,
o beijo é como a transmutação do sangue
em quaqluer outro elemento puro
algumas vezes encantas-me e pões-me a sonhar
como a raposa que, impedida de sair,
imagina o mundo para lá da toca
e morre mil vezes no meio de cada acorde
das árvores em redor
na maioria das vezes consegues emprestar-me voz e vida
outras, deixas-me com a inquietação ao colo
sem saber se hei de embalá-la, alimentá-la ou matá-la
tomo uma overdose de ti, gota a gota, som a som,
dia a dia, perto, perto do coração tão constantemente,
que já só sei atar o meu eu ao teu somente
deixar que as raízes de uma flor se enredem tanto noutra
é produzir um enxerto profundo, invisível e (im)permanente
mas nós não somos jardineiros, meu amor, por isso, que a flor
se alimente como puder que a nós nos basta saber que o outro
nos (pre)sente.
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