19.7.19

Marés vivas

É inverno há tempo demais.
É como se o verão andasse engarrafado no plástico dos oceanos.

Reciclamos o coração para deter a densidade do frio, esperando que se revele enfim o estio nas marés vivas de agosto.

Que tudo varrem.
Que tudo limpam

A areia fica lisa e aberta a uma nova escrita.
Podemos partir novamente sem olhar para trás.

Neste lugar novo,
não sabemos quem somos. Não queremos saber quem somos. E eu sou aquela que já olhou para trás vezes demais.

Sei que não sei quem és. Não tenho de saber quem és.

O que me vale é saber que és.


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