As minhas mãos, pousadas como asas mortas, alisam as manhãs, voam numa direção precisa, com a exatidão da cegueira.
Tenho as mãos prontas. Travam batalhas injustas com o tempo e com a memória.
Limpam, afagam, escrevem e apagam.
As mãos que despertam nas manhãs vêm curadas e contentes, porque envelhecer é antes de mais suturar por dentro.
Porém, no meu rosto há sulcos que desconheço. Mostro-os com orgulho mas não compreendo como chegaram, se ainda hoje preservo as minhas mãos para ti.
Tenho as minhas mãos prontas. Sim.
São aves de partir.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Medo do mundo
O melhor refúgio é dentro de nós Fora, fica o ruído do mundo Não me digam nada Tenho medo Profundo Fundo
Mensagens populares neste blogue
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Quando meto a marcha à ré, nunca sei se devo olhar para trás se para a frente. A medição das distâncias, muitas vezes, não depende dos olhos...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio