As minhas mãos, pousadas como asas mortas, alisam as manhãs, voam numa direção precisa, com a exatidão da cegueira.
Tenho as mãos prontas. Travam batalhas injustas com o tempo e com a memória.
Limpam, afagam, escrevem e apagam.
As mãos que despertam nas manhãs vêm curadas e contentes, porque envelhecer é antes de mais suturar por dentro.
Porém, no meu rosto há sulcos que desconheço. Mostro-os com orgulho mas não compreendo como chegaram, se ainda hoje preservo as minhas mãos para ti.
Tenho as minhas mãos prontas. Sim.
São aves de partir.
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