Não pousam pássaros na varanda, uma mera abertura a ver as dunas, que dá para as traseiras onde fica o parque de estacionamento. Sou sempre alojada nas traseiras de tudo, nos hotéis como na vida, mas não importa. Estou também virada para a entrada dos empregados. E essa é a paisagem mais humana que já conheci.
Começam a chegar muito cedo, cabisbaixos, concentrados, e são engolidos para as caves através da longa escadaria. Outros saem com uma pressa nova, aos grupos, a rir ou a fumar.
Poucos associam o seu bem-estar a este exército de gente vestida de castanho e de laranja. O descanso de uns depende do esforço de outros. Saúdo-os nos corredores com o meu melhor sorriso. Recebem pouco e nós pagamos muito.
É uma varanda para a vida, pouco turística,
mas eu nunca serei turista em lado nenhum, mesmo quando faço as minhas fotos do quotidiano. Sou do sítio onde estou. Até estar. E depois, ainda fico a ser dos sítios que visitei durante muito tempo.
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