Pensa nas tardes demoradas com vendaval frente ao rigor salino do oceano. Como as árvores, abanas ao vento e procuras vestir o calor do sol.
Pensa que és a alta palmeira que enfrenta as tormentas e acena de longe aos velhos náufragos de Ceuta.
Recorda o forte e as pedras antigas. Escolhe quem és, mas sê ar ou terra. Evita o mar, nestas tardes de vento.
Deixa-te varrer e baloiçar por dentro, estás no convés de um navio encalhado e ouves o tenebroso ranger de dentes da madeira apodrecida.
Perdeste o rum, o braço e o sentido da vida. Só te resta a barba amarelecida, um cachimbo vazio e os olhos negros de bandido.
Um homem pode chegar ao limite e ficar dentro do limite, com medo de sair. Basta-te estar onde estás, no conforto do teu desconforto.
Mas espera! Abre os olhos para a vida. Estás na minha história como personagem. No passa nada.
É apenas um vento marítimo mais forte e eu sou um narrador complacente.
Resgato-te para o meu peito, o convés perfeito, com laranjais e granadas, onde os ventos alísios te beijam e os meus lábios te contam outros segredos. No passa nada.
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