Estou longe de quase tudo. Da infância e da juventude, da velhice e da morte. Este alcance do tempo, põe-me em bicos dos pés para chegar lá. Onde já fui e onde nunca estive.
A meio de um lugar estranho, consigo preencher-me com a idade nova e com a velha. Por ti, ando a salvar o corpo em salmoura e a banhar-me em leite de camela, como a rainha egípcia. Desço ao luar todas as quintas-feiras e danço com as aves aos domingos.
Prometo não morrer antes de pintar um arco-íris nos teus olhos. Juro que não fico velha antes da última ruga me riscar um riso permanente.
Acabarei a tecer poemas e grinaldas e, por fim, partirei com a tua voz nos sentidos.
Mas agora estendo a mão e vejo-te. Eras menino e eu também. Depois cresceste e a idade trouxe-te amadamente.
O resto é a distância que une todos os tempos, entre o riso amante e o (de)mente
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