30.9.19

In vino veritas

Sirvo-te à temperatura ambiente deste outono (que nos morre nas veias
com a mesma calidez do tempo morno
que já fomos).  Depois, verto-me inteira neste copo até doer. Syrah, o vinho do deserto que já percorri.

No entanto, ainda não cheguei. A minha verdade vem no que és, simplesmente,
o vinho de viver, com uma graduação excessiva que me retorna à dor anónima
do abstémio.  A dor de te não ter.

No fundo da garrafa a verdade, o polme dos anos, como a hei de saber?

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