Limpou a pele e a alma com um algodão.
Pegou nos cremes, nas máscaras, nos mil
enleios para se preencher, se alisar e se reconhecer no fundo do espelho e atirou tudo fora. Vestiu-se de noite e entardeceu.
Nos seus dias, foi finalmente quem devia ser, não a moça obstinada que lhe andava a viver na pele. Não enganaria mais o espelho. Deixou crescer raízes nos cabelos, longas como os sonhos que se perderam.
A pele granulada e sábia, achou o conforto da tarde. Emudeceu no ruído do mundo. Levou-a alguém para qualquer lado, e ela foi, sem dizer nada, porque a terra chama mais cedo os que se deixam morrer por vencidos. Ou por dentro, com a alma embalsamada e os olhos feridos.
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