3.10.19

Silvas

Desprender as silvas não é tarefa de um poeta. O que escreve é da mesma natureza intrincada desse emaranhado de picos, entre amoras e outras bagas, talvez vermelhas.

O poeta prende-se nas silvas, arranha a  pele até  sangrar. Torna-se raiz que desce à água.

Por isso, quem entra no poema para lhe colher o fruto, picar-se-á primeiro no assombro e algumas vezes no entendimento. Mas dificilmente desprenderá o que a palavra prendeu.


Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixa aqui um lírio

Recentemente...

Fúria dos deuses

Não digas nada. Escuta como é feroz este som da tempestade. Não perturbes o vendaval com o teu medo. Deixa-o largar a sua fúria até morrer. ...

Mensagens populares neste blogue