Desprender as silvas não é tarefa de um poeta. O que escreve é da mesma natureza intrincada desse emaranhado de picos, entre amoras e outras bagas, talvez vermelhas.
O poeta prende-se nas silvas, arranha a pele até sangrar. Torna-se raiz que desce à água.
Por isso, quem entra no poema para lhe colher o fruto, picar-se-á primeiro no assombro e algumas vezes no entendimento. Mas dificilmente desprenderá o que a palavra prendeu.
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