Agora diz-me, porque me emociona tanto ver-te crescer à minha frente, tu que sempre me inclinaste para ti com a delicadeza do caule movido a vento, a apara de madeira em espiral no gesto do marceneiro
Tu, que me alisaste e poliste com a suavidade da tua voz na inversão da temporalidade
Gosto de ver-te ser quem és, sabendo das noites de pura alquimia com a qual nos construímos e reforçámos no esforço de fortificar o mundo. Não sei se conseguimos preservar o toque polido das mãos, o odor das madeiras frescas, o tabuado do chão que nos viu demoradamente uma e outra vez rasar o infinito e depois cair.
Como a madeira restaurada mantém as marcas das existências anteriores, assim
tenho eu esta ternura azul inscrita na pele, no olhar que te acaricia. Por quantas vidas vivas eu serei feliz.
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