22.11.19

Há poemas que são como pedras
afundam-se no seu próprio peso

Há homens que são pedras e pesam
o exato peso de um poema escuro
pintado em novembro

Eu prefiro os que emergem à superfície
e nos ficam a boiar no pensamento

São nenúfares daquele sonho
que sonhámos juntos, noutro corpo,
noutro mundo

Os homens e os poemas têm esse lado
perturbador e impuro

Há vozes que vivem nesse limbo
Homens que são a casa vazia dos outros,
E onde corre, escura, a solidão

Mas tu és um poema suave
Com harpas frescas na voz

Bebo dessa água doce e nua
tudo que me limpa o coração
Porque uma voz, a tua voz madura,
é o poema que me cura






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