Há poemas que são como pedras
afundam-se no seu próprio peso
Há homens que são pedras e pesam
o exato peso de um poema escuro
pintado em novembro
Eu prefiro os que emergem à superfície
e nos ficam a boiar no pensamento
São nenúfares daquele sonho
que sonhámos juntos, noutro corpo,
noutro mundo
Os homens e os poemas têm esse lado
perturbador e impuro
Há vozes que vivem nesse limbo
Homens que são a casa vazia dos outros,
E onde corre, escura, a solidão
Mas tu és um poema suave
Com harpas frescas na voz
Bebo dessa água doce e nua
tudo que me limpa o coração
Porque uma voz, a tua voz madura,
é o poema que me cura
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Ponto celeste
Eu sei que permaneces em lugares onde o hemisfério oposto expõe a sua belíssima flora constelar Nunca vi os céus desse hemisfério, onde tu v...
Mensagens populares neste blogue
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Quando meto a marcha à ré, nunca sei se devo olhar para trás se para a frente. A medição das distâncias, muitas vezes, não depende dos olhos...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio