Há poemas que são como pedras
afundam-se no seu próprio peso
Há homens que são pedras e pesam
o exato peso de um poema escuro
pintado em novembro
Eu prefiro os que emergem à superfície
e nos ficam a boiar no pensamento
São nenúfares daquele sonho
que sonhámos juntos, noutro corpo,
noutro mundo
Os homens e os poemas têm esse lado
perturbador e impuro
Há vozes que vivem nesse limbo
Homens que são a casa vazia dos outros,
E onde corre, escura, a solidão
Mas tu és um poema suave
Com harpas frescas na voz
Bebo dessa água doce e nua
tudo que me limpa o coração
Porque uma voz, a tua voz madura,
é o poema que me cura
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