Das janelas quero limpar toda a amargura
Tantos dias de névoa chora a serra
Tantos ventos varrem os caminhos
Quero ver o que vier e venha vindo
consoante se aproxime ou fuja do destino
Não quero essa sentinela amarga a uma janela obscurecida
Faço lume. Com o espanador espanto a euforia das coisas que sabem de ti
Já não se alisam bem as rugas do meu corpo, no velho leito em que existimos,
mas insisto preciso do desalinho
É o lugar das emoções.
Dos livros limpo o lume das palavras
Apago as vozes prontas a ser lidas
No seu discurso de almas já vencidas
Das portas quero apenas o silêncio,
quando batem fortes ventanias. Às vezes dizem coisas que lancinam e estremecem o fundo vazio dos dias
Da noite, bebo a oblíqua infusão das estrelas, que são lugubremente belas, e assim me visto com a antiga veste de vestal
que guarda a morte e aguarda o amor como pontos da mesma paralela chama
E sempre te chama para a eterna casa
A casa que não esquece o corpo que ama
17.12.19
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