15.12.19

a tua sombra


Um lapso da chuva e do vento
trouxe este momento de calmaria
Ando pela casa a percorrer a tua sombra
com este solfejo de vinho

Se me deres dois copos do teu tempo esqueceremos a essência morta de  dezembro, as folhas que não pisámos e escrevemos

Falamos em segredo, até que volte  
a fantasia das luzes e dos sonhos

Até que o riso nos faça crianças coradas com um inesperado beijo

Até que as labaredas nos façam brilhar por dentro

Até que de repente seja junho
e a madrugada tenha melros azuis
e pardais vermelhos

Mas fica. A tua sombra é tudo que tenho.

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