15.12.19

Estrada para a Holanda


Esta noite sonhei comigo dantes.
Reuni todas as tensões no mesmo nó
E fui ao mesmo tempo a jovem e a adulta
e era ambas numa só.

Só mesmo nos sonhos é possível ser assim: pisar a vida sem ver, como fizemos, e ser pisada por ela, como somos; ser leve e livre com olhos de quem já viu e já fez; juvenil despejo numa face
que emana solidez.

No meu sonho ia trabalhar num país qualquer da Europa, talvez Holanda ou algo assim, onde é grande a minha pequenez.

Era nova e tudo era novo nessa estrada. Mas tinha já tudo que os anos me deram, o saber, a experiência, a palavra. 

Depois das aventuras que busquei, as imagens de esperança e de ilusão, o cadinho em que misturei o tempo a vir e o acabado, acordei exausta.

O Ser que sou sabe que devia haver mais para além do emprego que nos bebe a raiz da alma e depois nos manda para uma reforma tardia com vista para a terra onde tudo se acaba.

O Ser que sou permanece naquela estrada para todas os países e cidades onde pode estar esse tanto que só nos sonhos me aguarda.

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