14.12.19

Natal à mesa

É Natal e eu volto a ser a pedra, a força que une

Alquimias minhas de arroz com miúdos, arroz com a família, amor com todos

Já misturo odores e sabores como quem junta as palavras de um poema

Rimar o pão com o paladar,
temperar com o coração, compor as metáforas mais belas com gengibre, limão e canela

Vestir o avental e rolar na pedra a massa, como quem esculpe um corpo e cria graça

Uma espécie de alvorada de sabores e odores, a transmutação dos produtos da terra em coisas do céu

É quase Natal e eu penso em preencher
sorrisos e criar encanto

Um egoísmo burguês e comezinho
Como se o Natal fosse só manjar e vinho

Não é preciso tanto para criar essa raríssima beleza, ser Natal e a mãe juntar todos à mesa

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